domingo, 25 de setembro de 2011

V CONGRESSO INTERNACIONAL DE CONVERGENCIA (texto da APPOA)

O ATO PSICANALÍTICO E SUAS INCIDÊNCIAS CLÍNICAS, POLÍTICAS E SOCIAIS




Coleção Carretéis – Iberê Camargo (1975)
22, 23 e 24 de junho de 2012
Porto Alegre/RS - Brasil

      A Psicanálise é uma prática discursiva cujos efeitos podem ser observados na clínica e também na vida cotidiana há mais de um século. Suas posições inovadoras, mesmo subversivas, sempre foram objeto de discussão dentro e fora das instituições psicanalíticas. As incidências do trabalho com o inconsciente mostram que a escuta do sintoma é possível considerando que este é sinal do sujeito e não manifestação de doença. Ora, nestes tempos de exigência de gozo imediato e de discursos fundamentalistas, face ao inevitável mal-estar na cultura, um tratamento que não ofereça cura milagrosa ou co nsolo permanente coloca-se como referência ética de que os atos de palavra são transformadores.  As associações e os psicanalistas reunidos em Convergencia – movimento lacaniano para a psicanálise freudiana – consideram que as articulações entre o sujeito e sua polis são indissociáveis; pois o psicanalista é permeável aos discursos e, para que a psicanálise possa avançar em sua prática e teoria, faz-se necessário um exame permanente das consequências de seus atos.
   No V Congresso Internacional de Convergencia que acontece em Porto Alegre, teremos oportunidade de renovar esta aposta. Um momento de encontro e debate sobre os efeitos do ato psicanalítico na clínica das neuroses, das psicoses e das perversões. Acontecimento onde os psicanalistas podem dar conta da sustentação de seu ato nos mais diversos âmbitos – consultórios, ambulatórios, hospitais e outros cujo lugar de reunião é uma oportunidade para compartilhar a experiência. Além disto, temos espaço para verificar os efeitos do ato no social, a experiência do encontro do discurso psicanalítico com as políticas públicas, sejam elas educacionais, culturais, ou de saúde mental.
    Um significante lançado ao mundo não é mais individual, afirmava Jacques Lacan em diversos momentos ao retomar o legado de Freud. Cada analista tem responsabilidade com a psicanálise ao sustentar em sua escuta os desdobramentos do fantasma na atualidade. Ao mesmo tempo, interrogar a política dos enlaces no campo psicanalítico faz parte de sua formação. Além disto, a transmissão do discurso psicanalítico está aberta às incidências do ato criativo, fazendo eco à potencia do discurso em seu esburacamento do real.
     Convidamos a participar deste evento, no qual psicanalistas de diferentes línguas, formações e transferências estão dispostos ao diálogo e a relançar o ato inaugural que nos faz sustentar o que é a psicanálise.
  
Eixos de trabalho
• As formas do tratamento psicanalítico na atualidade – o ato analítico. (Incidências Clínicas)
• A intervenção clínica da psicanálise nas políticas públicas; a política das instituições psicanalíticas; a política do desejo in-mundo. (Incidências Políticas)
• Como formular o mal-estar na cultura hoje?  O ato analítico frente ao mal-estar contemporâneo. O laço social frente ao individualismo, gozo e sofrimento. (Incidências Sociais)
• O ato e a criação do novo na cultura.
Instituições convocantes:
Apertura (Espanha)
Après-Coup Psychoanalytic Association (EUA)
Acte Psychanalytique (Bélgica)
Analyse Freudienne (França)
Associação Psicanalítica de Porto Alegre (Brasil)
Círculo Psicoanalítico Freudiano (Argentina)
Cartels Constituants de L'Analyse Freudienne (França)
Centre Psychanalytique de Chengdu (China)
Colégio de Psicanálise de Bahia (Brasil)
Corpo Freudiano do Rio de Janeiro Escola de Psicanálise (Brasil)
Dimensions de la Psychanalyse (França)
Escola Lacaniana de Psicanálise do Rio de Janeiro (Brasil)
Escuela Freud-Lacan de La Plata (Argentina)
Escuela de Psicoanálisis Lacaniano (Argentina)
Escuela de Psicoanálisis de Tucumán (Argentina)
Escuela de Psicoanálisis Sigmund Freud-Rosario (Argentina)
Escuela Freudiana de Buenos Aires (Argentina)
Escuela Freudiana de la Argentina (Argentina)
Escuela Freudiana de Montevideo (Uruguai)
Escuela Freudiana del Ecuador (Equador)
Espace Analytique(França)
Espaço Psicanálise (Brasil)
Fédération Européenne de Psychanalyse et École Psychanalytique de Strasbourg (França)
Grupo de Psicoanálisis de Tucumán (Argentina)
Insistance (França)
Intersecção Psicanalítica do Brasil (Brasil)
Laço Analítico Escola de Psicanálise (Brasil)
Lazos Institución Psicoanalítica (Argentina)
Le Cercle Freudien (França)
Letra, Institución Psicoanalítica (Argentina)
Maiêutica Florianópolis (Brasil)
Mayeutica-Institución Psicoanalítica (Argentina)
Nodi Freudiani Associazione Psicanalítica (Itália)
Praxis Lacaniana Formação em Escola (Brasil)
Psychanalyse Actuelle (França)
REAL 50; Red Analítica Lacaniana (México)
$eminario Psicoanalítico (Argentina)
Trieb Institución Psicoanalítica (Argentina)
Triempo Institución Psicoanalítica (Argentina).
  
Realização: Convergencia – Movimento Lacaniano para a Psicanálise Freudiana

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

A Língua: Lacan, Guimarães Rosa e Caetano



"a língua  e eu somos um casal de amantes que juntos procriam apaixonadamente, mas a quem até hoje foi negada a bênção eclesiástica e científica." (Guimarães Rosa, citação em "Primeiras estórias", 2005, p. 8)
  
Criada num lapso por Lacan ( no Seminário "O saber do psicanalista"), a Lalangue é o meio pelo qual a linguagem intervém. A Língua é a "amante" de um certo João, conhecido como Guimarães Rosa, que o fez seguir na prosa da literatura como se fizesse poesia. Há Língua definitivamente nas canções do criativo e irreverente Caetano Veloso. Não só quando na "Língua" ela assume o lugar de mátria, mas em tantas outras palavras onde se pode ver o amor pelo literal (litoral), onde nada se escreve fora da palavra, na margem da palavra a não ser o silêncio de um puro Real da música e da voz do cantor. 

Disso ecoam algumas frases do psicanalista Lacan tão conectadas a essa poesia da música e da literatura, da arte, enfim. 
"Eu trabalho no impossível de dizer. Dizer é outra coisa que falar. O analisante fala. Ele faz  poesia. Ele faz poesia quando ele aqui chega, é pouco frequente, mas ele é arte (Il est art). Eu corto porque eu não quero dizer é tarde (Il est tard). O analista, ele, fatia (tranche). O que ele diz é corte, isto é, participa da escrita, exceto que ele se equivoque acerca da ortografia.” (Lacan, J. Le moment de conclure, 20/12/1977, inédito In Porge, E. Des Fondements de la Clinique psychanalytique, p. 40)  
"O dizer fica esquecido por  trás do dito" (Lacan, O Aturdito, [1972]2003, p. 449). Esquecido não no sentido de reclacado, mas de ex-sistente (existente fora/antes). O esquecido aqui, como frisa Lacan nesse mesmo texto, não está relacionado à memória, mas à existência. Esse dizer como o qual o analista trabalha é também a lavra do escritor. É o pai da palavra, tão bem conhecido por Guimarães Rosa, e encarnado na figura do pai que parte em silêncio em sua canoa, num dos textos mais valiosos da literatura brasileira, "A Terceira Margem do Rio".
O pai que parte e nunca volta é esse silêncio rio a fora, que faz o filho falar, escrever o texto. Esse dizer, concretizado no  duro-puro (aqui faço referência a Caetano[1]) silêncio paterno, é a ex-sistência das palavras do filho. O antes de qualquer significante.   Isso que nos toca antes da palavra e que  só depois quando ela chega se pode dizer tocado.
E, no que me toca, a Língua é coisa séria... Mais uma vez Lacan (Ou pire...[1971-1972]2008, p. 71), na aula em que apresenta o Nó Borromeano:
"O que me toca é que durante séculos, quando se tocava na língua, se falava para tomar cuidado! Há uma letra que só aparece geralmente à margem na composição fonética, é essa aqui [H], que se pronuncia hache em francês. Não toque no machado[2], é isso que era prudente durante os séculos quando se tocava na língua. Porque se achou que durante os séculos, quando se tocava na língua, em público, isso fazia efeito, um efeito diferente da diversão..."
O divertimento sério que nos propõe Lacan nessa aula e no seu ensino, eu ousaria dizer que é bem parecido com a brincadeira do moleque Caetano Veloso e com a paixão do tri-marginal João Guimarães Rosa! 
Sempre na margem da palavra...
Patrícia Pinheiro  





[1] “A terceira margem do rio” (música de Milton Nascimento e letra de Caetano Veloso)
[2] A palavra hache em francês significa machado; é homógrafa ao nome da letra H, hache. (Nota da tradutora)


domingo, 7 de agosto de 2011

NÚCLEO DE ESTUDOS DAS PSICOSES

* 1. Por que criar um Núcleo de estudos das psicoses?
Porque acredito que sabemos muito pouco sobre a loucura e suas manifestações...
Quando eu ainda era uma estudante do 3º ano do segundo grau, hoje ensino médio, houve um ciclo de palestras no meu colégio para auxiliar na escolha da profissão. O palestrante que mais me marcou foi o psiquiatra Alaor Coutinho. Não consigo esquecer sua maneira entusiasta ao falar sobre o louco e a loucura. Porque precisei fazer outras escolhas antes de me render ao desejo de escutar a psicose, é outra história... Mas o fato é que ao me tornar psicanalista isso me pegou!   
O “núcleo” - Núcleo de estudos das psicoses - é a com-formação desse desejo calado que pode encontrar espaço na TRICICLO, na minha formação como analista e nos meus estudos insistentemente endereçados à Universidade.
Voilá! Eis-me aqui, de forma apaixonada, convocando os interessados na temática para boas conversas, presenciais ou on-line, a partir de setembro próximo.
A agenda sairá em breve!
Patrícia Pinheiro

sábado, 6 de agosto de 2011

ALVARÁ DE FUNCIONAMENTO DEFINITIVO

Comunicamos aos nossos pacientes, seguidores e colegas que a TRICICLO,  funcionando com alvará provisório desde sua abertura em março deste ano, segue em seus trabalhos com alvará definitivo a partir do mês de agosto!


NOVO HORÁRIO_GRUPO DE ESTUDOS

"LACAN FUNDAMENTAL - A Carta Roubada", QUE COMEÇARÁ NA PRÓXIMA SEMANA (16.08), FUNCIONARÁ NA SEDE DA TRICICLO ÀS TERÇAS-FEIRAS DAS 18:30H ÀS 20H.
Para inscrição envie e-mail para: clintriciclo@uol.com.br

quinta-feira, 14 de julho de 2011

PROGRAMAÇÃO 2011.2 - GRUPO DE ESTUDOS

"LACAN FUNDAMENTAL"
Coordenação: Patrícia Pinheiro
HORÁRIO: QUINTAS-FEIRAS, DAS 19H ÀS 20:3OH
FREQUÊNCIA SEMANAL
VALOR: R$ 100,00
LOCAL: TRICICLO - Sgan 607, Ed. Brasília Medical Center, Cj. A, Bl. B, sls 104 e 105.
Inscrição pelo e-mail: clintriciclo@uol.com.br
INÍCIO: 18.08.2011

LEITURAS: "A carta roubada" (Edgar A. Poe) e "A carta roubada" (Lacan, J. Escritos)